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Ostara: Celebração da Primavera e Renovação

23 de set.
13 min de leitura

Atualizado: 5 de out.

A Importância de Ostara


Ostara começou ontem. No dia 22 de setembro de 2026, às 21h05, pelo horário de Brasília, aconteceu o equinócio de setembro. Esse evento marca o início da Primavera no Hemisfério Sul e a chegada do Outono no Hemisfério Norte. A Primavera seguirá até o dia 21 de dezembro, quando terá início o verão.


Mas existe uma coisa importante que quero dizer antes de qualquer outra: você não perdeu Ostara. O instante exato do equinócio passou, mas isso não significa que você perdeu a oportunidade de fazer seu ritual, seus pedidos, suas orações, suas práticas de gratidão ou qualquer outra forma de conexão espiritual com esse momento.


O equinócio é um instante astronômico específico. A celebração espiritual, porém, pode ser vivenciada de maneira mais ampla. Se você só descobriu Ostara hoje, tudo bem. Se ontem você não conseguiu preparar seu altar, acender uma vela, plantar uma semente ou fazer uma oração, tudo bem também. Você pode fazer isso hoje, amanhã ou nos próximos dias.


A Primavera e Seus Ciclos


Os primeiros dias depois do equinócio podem ser percebidos, dentro de uma prática ritualística, como um período de transição especialmente significativo. Mas não precisamos imaginar que exista uma porta que se fecha imediatamente depois do horário exato do equinócio. A Primavera acabou de começar. E podemos trabalhar simbolicamente os temas de Ostara ao longo de toda essa estação, até o final da Primavera, em dezembro.


Isso faz sentido até mesmo quando pensamos na própria natureza. Uma semente não nasce, cria raízes, cresce e floresce em algumas horas. Existe um processo. Primeiro vem a semente. Depois vêm as raízes. Então aparece o broto. E somente mais tarde chega a flor. Por isso, Ostara pode ser compreendida não apenas como um dia, mas como uma passagem.


Se você deseja fazer uma oração, faça. Se deseja acender uma vela, faça. Se deseja escrever seus pedidos, plantar uma semente, montar um altar, preparar uma prática ritualística ou simplesmente agradecer pela chegada de uma nova estação, você ainda está em tempo. A Primavera está apenas começando!


A Roda do Ano e Seus Ciclos


Quando falamos sobre a Roda do Ano, existe uma questão fundamental que nem sempre recebe a atenção que merece: em qual hemisfério você está? O mesmo equinócio acontece para toda a Terra, mas as estações são opostas nos dois hemisférios. No Hemisfério Sul, setembro representa a chegada da Primavera e março representa a chegada do Outono. No Hemisfério Norte, acontece o contrário: setembro marca a chegada do Outono e março marca a chegada da Primavera.


Aqui no Rio de Janeiro estamos no Hemisfério Sul. Por isso, quando celebramos Ostara em setembro, estamos acompanhando a chegada da Primavera. Isso significa que aquilo que simbolicamente trabalhamos neste período pode estar relacionado a brotar, florescer, expandir, crescer, fertilizar e iniciar. Enquanto isso, uma pessoa que esteja no Hemisfério Norte estará vivendo um momento sazonal completamente diferente. Para ela, setembro está relacionado a amadurecer, colher, recolher, transformar, preparar-se para a escuridão e interiorizar.


A Roda do Ano e a Natureza


É por isso que a Roda do Ano não precisa ser compreendida como uma sequência de imagens que devemos reproduzir exatamente da mesma maneira em qualquer lugar do planeta. A Roda acompanha a Terra onde você está. E isso abre uma possibilidade muito bonita para quem pratica espiritualidade no Hemisfério Sul: podemos observar a natureza que realmente existe ao nosso redor e construir uma relação mais verdadeira com os ciclos que vivemos!



Ostara: O Que É?


Na Wicca e em outras tradições neopagãs contemporâneas, Ostara é uma celebração associada ao equinócio de Primavera e aos temas de renovação, equilíbrio, crescimento e fertilidade. Mas existe uma distinção importante que vale a pena fazer. O equinócio é um fenômeno astronômico. Ostara, como celebração religiosa dentro da forma moderna da Roda do Ano, é uma construção espiritual contemporânea associada a esse fenômeno.


Essa diferença não torna a celebração menos significativa. Pelo contrário. Ela nos permite separar aquilo que pertence à astronomia daquilo que pertence à tradição religiosa moderna. O equinócio acontece independentemente de acreditarmos nele ou não. Já a maneira como interpretamos espiritualmente esse momento depende da tradição, da cultura e da prática de cada pessoa.


O Equinócio e Sua Importância


Dentro da espiritualidade contemporânea, Ostara tornou-se um momento associado ao despertar da natureza, ao equilíbrio entre luz e escuridão, ao florescimento, à fertilidade, à renovação e àquilo que começa a sair do estado de potencial para entrar no mundo concreto.


Em 22 de setembro de 2026, às 21h05, aconteceu o equinócio de setembro no horário de Brasília. Para nós, no Hemisfério Sul, esse instante marcou o início astronômico da Primavera. No Hemisfério Norte, marcou o início do Outono. É interessante lembrar disso porque muitas vezes usamos expressões como “energia do equinócio” de maneira espiritual e simbólica. Mas existe, por trás dessa linguagem, um fenômeno astronômico concreto.


Do Vazio ao Broto


Talvez nenhuma imagem represente melhor Ostara do que uma semente. A semente ainda não é uma árvore. O botão ainda não é uma flor. Um projeto ainda não é uma realidade. Uma intenção ainda não é uma realização. Mas alguma coisa já começou. Existe potencial. Existe movimento. Existe vida esperando condições para se manifestar.


Por isso, Ostara pode ser um momento para olhar para aquilo que está despertando dentro de nós e perguntar: O que está pronto para nascer em mim? Pode ser um projeto. Uma nova escolha. Uma nova versão de você. Um caminho que estava esperando coragem. Uma relação diferente consigo mesma. Uma ideia que finalmente chegou ao momento de sair do papel. Nem tudo precisa florescer imediatamente. Às vezes, o trabalho deste ciclo é simplesmente reconhecer a semente e começar a cuidar dela.


Eostre: A Deusa por Trás do Nome?


Aqui entramos em uma das partes mais interessantes — e também mais controversas — da história de Ostara. Uma fonte medieval escrita por Beda, monge e historiador inglês, menciona uma deusa chamada Eostre ao explicar a origem do nome de um mês do calendário anglo-saxão, Eosturmonath. Beda afirma que o mês recebeu esse nome por causa de Eostre e que havia celebrações em sua honra.


Essa é a principal referência textual antiga e explícita que temos sobre Eostre. Mas é importante observar o que Beda não conta. Ele não descreve uma celebração chamada “Ostara” como a conhecemos atualmente. Também não apresenta uma narrativa sobre um coelho mágico, ovos sagrados ou uma grande festa de fertilidade nos moldes das celebrações modernas.


A História de Ostara


A existência, a natureza e a extensão de um possível culto histórico a Eostre são assuntos discutidos pelos estudiosos. A própria documentação sobre a figura é extremamente limitada. Isso significa que precisamos ter cuidado quando encontramos na internet afirmações apresentando a Ostara moderna como se fosse uma festa antiga preservada integralmente desde a Antiguidade. A história é mais complexa. E justamente por isso ela é tão interessante.


O nome que hoje conhecemos como Ostara passou por diferentes camadas históricas. No século XIX, o linguista e folclorista Jacob Grimm propôs que a Eostre mencionada por Beda poderia corresponder a uma divindade germânica mais ampla, para a qual utilizou o nome Ostara em suas reconstruções da mitologia germânica. Essa ideia teve influência posterior, mas Ostara como uma grande deusa germânica da Primavera não é uma figura cuja existência esteja documentada de maneira independente nas fontes antigas.


Depois veio outra camada importante: o uso de “Ostara” dentro da espiritualidade pagã moderna. Aidan Kelly relata que, em 1974, enquanto desenvolvia um calendário pagão, escolheu o nome Ostara para o festival do equinócio de Primavera, inspirado na referência de Beda. Segundo seu próprio relato, ele estava procurando nomes pagãos para festividades que ainda não possuíam uma denominação equivalente às festas como Yule e Beltane.


Assim, podemos visualizar essa história como uma sequência de camadas: Eostre → fonte medieval; Ostara → reconstrução do século XIX; Ostara como festival da Roda do Ano → uso neopagão moderno. Essa história não precisa diminuir o significado espiritual de Ostara. Ela simplesmente nos ajuda a entender que tradições também são construídas, reconstruídas, reinterpretadas e transformadas ao longo do tempo.


O Mistério do Coelho e do Ovo


E então chegamos a uma das imagens mais populares associadas a Ostara: o coelho ou a lebre acompanhado de ovos. Coelhos, lebres e ovos são símbolos relacionados à Primavera e à fertilidade em diferentes contextos culturais. Mas existe uma diferença importante entre dizer que esses símbolos possuem associações culturais com a Primavera e afirmar que existe uma antiga história de Eostre envolvendo um coelho que botava ovos.


Essa história específica não aparece no relato de Beda. A Library of Congress rastreou versões posteriores dessa narrativa e mostrou que a ligação entre Ostara e a lebre aparece em fontes do século XIX. Uma associação mais desenvolvida entre Ostara e a lebre foi proposta posteriormente por autores e folcloristas.


Portanto, aquela história que circula na internet sobre uma deusa chamada Ostara que teria transformado um pássaro em lebre — mantendo a capacidade de colocar ovos — não pode ser apresentada como uma narrativa antiga comprovada. Isso não significa que coelhos, lebres e ovos não possam fazer parte de uma celebração moderna de Ostara. Significa apenas que devemos saber diferenciar símbolos utilizados hoje de fontes históricas que comprovam sua origem. Nem tudo que possui significado espiritual contemporâneo precisa ser antigo para ter significado.


Deusas Associadas a Ostara


Nas práticas pagãs contemporâneas, diferentes divindades podem ser relacionadas simbolicamente aos temas da Primavera. Eostre aparece naturalmente por sua relação com a história do nome. Flora pode ser associada às flores, à vegetação e ao florescimento. Afrodite pode representar beleza, desejo, sensualidade e florescimento. Perséfone pode ser relacionada aos ciclos de retorno, transformação e renovação. Freyja aparece em correspondências modernas ligadas à fertilidade, vida, sensualidade e poder feminino. Gaia pode representar a própria Terra, sua fertilidade e sua capacidade de gerar e sustentar a vida.


Mas existe uma observação importante: não existe uma lista histórica oficial de “Deusas de Ostara”. Essas são correspondências modernas, utilizadas por diferentes praticantes de maneiras diferentes. Elas não constituem um panteão histórico comprovado da celebração.


Deuses do Florescimento


O mesmo acontece com as figuras masculinas. Nas correspondências pagãs modernas encontramos figuras relacionadas à vegetação, à natureza, à fertilidade e ao crescimento, como o Green Man, Cernunnos e Pan, além de diferentes divindades solares jovens e figuras relacionadas à vegetação e ao florescimento. Mais uma vez, estamos falando principalmente de associações contemporâneas. Não existe uma antiga lista universal de “Deuses de Ostara”. A prática moderna aproxima diferentes divindades dos temas simbólicos que deseja trabalhar.


As Cores de Ostara


A paleta de Ostara acompanha aquilo que muitas pessoas associam visualmente à Primavera: verde, amarelo, rosa, lilás, branco e azul-claro. O verde pode representar a vegetação e o crescimento. O amarelo e o dourado podem lembrar a luz que se expande. O rosa pode representar florescimento, delicadeza e amor. O lilás traz uma dimensão floral e espiritual. O branco pode simbolizar renovação. O azul-claro pode evocar o céu, a água e a leveza.


Mas existe uma correspondência que considero ainda mais bonita: observe as cores da Primavera onde você vive. No Rio de Janeiro, não precisamos imaginar uma paisagem europeia para encontrar a Primavera. Podemos olhar para as árvores, flores, jardins, Mata Atlântica, céu, chuva e toda a vida que existe ao nosso redor. A própria natureza pode ser o nosso altar.


Um Altar para Ostara


Um altar de Ostara não precisa ser complicado. Podemos trabalhar com velas verdes, amarelas, brancas ou rosas. Podemos acrescentar sementes, flores frescas, ovos, água, ervas, brotos e plantas. Símbolos de lebres ou coelhos também podem aparecer, caso façam sentido para a prática. Mas existe algo especialmente bonito em transformar o altar em um espaço vivo.


Uma planta crescendo diante dos nossos olhos pode representar a própria essência da Primavera. Ela começa pequena. Cria raízes. Produz folhas. Cresce. E, eventualmente, floresce. Em vez de apenas representar o crescimento, ela nos permite observá-lo acontecendo.



O Jardim de Ostara: Ervas e Flores


Entre as correspondências contemporâneas de Ostara podemos encontrar ervas como alecrim, hortelã, capim-limão, erva-cidreira, camomila, jasmim, rosa, lavanda, verbena e violeta. Entre as flores aparecem narciso, crocus, prímula, lilás e rosa. Essas plantas podem ser utilizadas em diferentes práticas conforme suas características e a finalidade escolhida: decoração de altar, sachês, práticas aromáticas, banhos apropriados, defumações quando forem seguras para esse uso ou simplesmente como elementos simbólicos.


Mas existe uma regra fundamental: correspondência mágica não significa segurança para consumo. Algumas plantas associadas à Primavera, como o narciso, são tóxicas. Portanto, uma planta estar presente em uma correspondência ritualística não significa que ela possa ser transformada em chá, alimento ou preparação para uso interno. A magia não precisa ignorar a botânica. Pelo contrário: conhecer a planta real também faz parte de uma relação mais profunda com a natureza.


Primeiro Florescer: Um Perfume Ritualístico de Ostara


Como a Fada Terrestre também trabalha com perfumaria, podemos transformar a Primavera em uma experiência olfativa. Para este ciclo, criamos o Primeiro Florescer, um perfume ritualístico inspirado no despertar, no florescimento e na criação de raízes. Para preparar 100 mL, utilizamos um concentrado aromático de 14 mL.


Na saída, que representa o despertar, entram 3 mL de óleo essencial de laranja-doce e 1,33 mL de óleo essencial de bergamota. No coração, representando o florescimento, entram 2,67 mL de óleo essencial de gerânio, 2 mL de jasmim, preferencialmente um absoluto ou outra matéria-prima própria para perfumaria, e 1,33 mL de óleo essencial de lavanda. No fundo, trazendo a sensação de raízes e conexão com a terra, entram 2 mL de óleo essencial de patchouli e 1,67 mL de óleo essencial de cedro. O concentrado aromático totaliza 14 mL.


Para completar a fórmula, utilizamos 85 mL de álcool de perfumaria e 1 mL de glicerina vegetal, chegando ao total de 100 mL. Essa fórmula é uma criação contemporânea da Fada Terrestre inspirada nos símbolos da Primavera. Ela não é uma fórmula histórica de Ostara. Para uso cosmético e especialmente para comercialização, é necessário verificar os limites aplicáveis de cada matéria-prima, documentação de segurança dos fornecedores e requisitos de segurança da formulação. A bergamota, em particular, exige atenção à questão de fototoxicidade dependendo do tipo de matéria-prima utilizada e da concentração.


Não Tem os Óleos Essenciais? Use a Planta


Nem todo mundo possui uma coleção de óleos essenciais — e isso não precisa impedir a criação de uma experiência aromática. Algumas matérias-primas vegetais secas podem ser utilizadas para preparar uma maceração alcoólica. Podemos trabalhar, por exemplo, com casca de laranja seca, alecrim seco, lavanda seca ou jasmim seco.


A planta deve estar muito bem seca e ser colocada no álcool de perfumaria em um recipiente fechado, protegido da luz e do calor. A proposta é deixar a matéria vegetal em maceração por pelo menos sete dias, agitando suavemente o recipiente uma vez por dia. Depois vem uma etapa fundamental: macerar → filtrar → perfumar. A preparação precisa ser muito bem filtrada antes de qualquer utilização.


Mas existe uma diferença técnica importante: uma maceração vegetal não é quimicamente equivalente a um óleo essencial. Ela é outro tipo de extrato, normalmente com um perfil aromático mais suave e diferente. Por isso, não devemos simplesmente substituir qualquer óleo essencial pela mesma quantidade de planta seca e esperar o mesmo resultado. Para matérias-primas como gerânio, patchouli e cedro, pode ser mais adequado utilizar a matéria-prima aromática correspondente ou reformular a composição.


Consagrando o Perfume


Depois de preparar o perfume, podemos acrescentar uma dimensão ritualística à experiência. Enquanto prepara a fragrância, escolha aquilo que deseja cultivar. Segure o frasco e formule mentalmente ou em voz alta a intenção escolhida: “Eu cultivo aquilo que desejo ver florescer.” A partir daí, o perfume deixa de ser apenas uma fragrância e passa a funcionar, dentro da prática pessoal, como uma âncora sensorial.


Você pode utilizá-lo durante seu ritual de Ostara ou sempre que quiser retornar à intenção escolhida. O cheiro se torna uma lembrança. A lembrança reconecta você à intenção. E a intenção pode ajudar a orientar suas ações. Esse é o Primeiro Florescer.


A Mesa de Ostara


A alimentação também pode participar da celebração. Uma mesa de Ostara pode reunir ovos, mel, brotos, folhas verdes, pães e cereais, sementes, frutas, flores comestíveis, leite e derivados e chás de ervas. A proposta simbólica é alimentar-se de elementos que representem vida, crescimento e abundância. Mas, novamente, podemos adaptar isso ao lugar onde vivemos.


No Hemisfério Sul, nossa mesa não precisa reproduzir uma imagem europeia de Primavera. Podemos escolher alimentos que façam sentido para a estação, para nossa cultura e para aquilo que está disponível ao nosso redor. A mesa também pode se tornar uma forma de agradecer por aquilo que a Terra oferece.


Magias de Ostara


Ostara pode ser trabalhada através de práticas simples e concretas. Para trabalhar crescimento, podemos plantar uma semente junto de uma meta concreta. Enquanto a planta cresce, acompanhamos também aquilo que estamos construindo. Para trabalhar equilíbrio, podemos utilizar duas velas ou dois elementos, representando forças que precisam encontrar harmonia.


Para trabalhar renovação, podemos limpar um espaço físico e retirar aquilo que não desejamos levar para o novo ciclo. Para trabalhar amor-próprio, podemos criar um momento de cuidado envolvendo flores, perfume, banho, descanso ou simplesmente atenção ao próprio corpo. Para trabalhar prosperidade, podemos plantar uma semente e associá-la a uma ação prática que contribua de verdade para aquilo que desejamos construir.


Porque existe uma ideia que resume muito bem essa forma de trabalhar: MAGIA MARCA A INTENÇÃO. A AÇÃO DÁ DIREÇÃO. Um ritual pode marcar um começo. Mas aquilo que queremos cultivar precisa receber cuidado no mundo concreto.


Existe um Horário Certo para Celebrar?


Não existe um horário histórico universalmente obrigatório para Ostara. Podemos, entretanto, escolher horários de acordo com aquilo que desejamos simbolizar. O nascer do Sol pode representar renascimento e novos começos. O momento exato do equinócio pode representar equilíbrio e passagem. O pôr do Sol pode representar gratidão e integração.


Em 2026, no Rio de Janeiro e no horário de Brasília, o momento astronômico do equinócio aconteceu em 22 de setembro, às 21h05. Mas isso não significa que uma pessoa que não realizou seu ritual exatamente nesse horário tenha perdido a celebração. O instante astronômico é preciso. A experiência espiritual pode ser mais ampla.


E Qual é o Melhor Dia?


Também não existe um “dia oficial de Ostara”. Podemos utilizar correspondências da magia planetária moderna para escolher um dia de acordo com o tipo de trabalho que queremos realizar. O domingo, associado ao Sol, pode representar vitalidade, luz e expansão. A segunda-feira, associada à Lua, pode representar intuição, emoções e ciclos.


A quarta-feira, associada a Mercúrio, pode representar comunicação, ideias e projetos. A quinta-feira, associada a Júpiter, pode representar crescimento e abundância. A sexta-feira, associada a Vênus, pode representar amor, beleza e fertilidade. Para uma celebração voltada ao florescimento, domingo e sexta-feira podem ser escolhas simbólicas interessantes. Mas essa é uma correspondência da magia planetária moderna, e não uma regra histórica de Ostara.


Ritual da Coroa do Abacaxi


Para fechar nossa celebração, temos um ritual que traduz de maneira muito bonita a ideia central de Ostara: crescimento, intenção, gratidão e paciência. Você vai precisar de uma coroa de abacaxi, papel e caneta e um recipiente com água. Separe a coroa do abacaxi, mantendo sua base. Nos papéis, escreva aquilo que deseja cultivar neste novo ciclo. Podem ser pedidos, intenções, projetos ou agradecimentos.


Dobre os papéis e coloque-os cuidadosamente entre as folhas da coroa. Depois, coloque a coroa em um recipiente com água. É importante que apenas a parte branca da base fique em contato com a água. As folhas devem permanecer para fora. E então começa uma das partes mais importantes do ritual: esperar.


Primeiro as Raízes. Depois, o Crescimento.


Deixe a coroa na água até começar a criar raízes. Observe. Cuide. Troque a água quando necessário. Acompanhe o nascimento das primeiras raízes. Quando estiver suficientemente enraizada, plante a coroa na terra e continue cuidando dela. Os pedidos permanecem junto da planta como símbolo daquilo que você escolheu cultivar.


Mas não tenha pressa de ver flores. Primeiro, deixe criar raízes. Essa talvez seja a mensagem mais importante de todo o ritual. Uma intenção precisa de cuidado. Um projeto precisa de ação. Uma mudança precisa de tempo. Uma semente não pode ser puxada para fora da terra todos os dias para verificarmos se já cresceu. Precisamos confiar no processo enquanto fazemos nossa parte.


A coroa do abacaxi também carrega uma simbologia bonita porque aquilo que poderia simplesmente ser descartado pode ganhar uma nova etapa de vida. Uma parte da fruta que normalmente iria para o lixo pode criar raízes, ser plantada e começar novamente. E isso conversa profundamente com a Primavera.


Feliz Ostara. 🌱🌸

FADA TERRESTRE ✦

 
 
 

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